sábado, 11 de setembro de 2010

AGRESSÃO

Por mais que eu quisesse, bem sei que não há jeito. Portanto, já que eu não posso pegar-te pelo pescoço e torcê-lo em trinta rotações (para cada lado), eu me conformo em falar de você. Uma pena, mas não é fofoca. Não proclamo sua pessoa a ninguém - para que não pensem que tenho fixação em ti. Mas acostumei-me a escrever teu nome. E escrevo-o sempre com as letras todas minúsculas. É na tentativa de diminuir-te, sim. Para que você murche cada vez mais. E desapareça. Minimize e desapareça!

- principalmente dentro de mim -

Eu sei que é coisa minha, e que isso em nada fere a sua pessoa. É por isso que eu continuo, e não me deixo esquecer. Não atinge você, mas agride a mim. Eu - que sou você só porque você insiste em não sair de mim. Eu escrevo, escrevo e escrevo: diminuindo minha letra cada vez mais. Tudo isso com a intenção de, já que não posso acabar contigo, deixar-te menor. Mesmo que você não suma, quero que fiques menor: para caber melhor em mim. Alojar-te com mais conforto. Porque eu não suportarei que fiques nesse ritmo de crescimento. Tenho medo que não caibas mais em mim.

6 comentários:

Patrícia Rebeca disse...

Gosteei demais cara!

Paula Oliveira disse...

Excelente!
Quando os artrópodes crescem trocam de exoesqueleto, mudam a casca. Devia ser bom se com os humanos fosse parecido...

Gosto MUITO de ler seu blog.
=)

Vanessa Isis disse...

Huuuuuuuuuuuuuuum..
Eu sei pra quem foi essa, viu? :X hahaha
The saint fáacil.

Ótimo texto, baby.

Carolina disse...

É o amor!

Thiago disse...

Pois é cara, você se encontrou com um dos únicos males irremediáveis.. o amor...

Jahynne disse...

Você tem talento!!! Bravoo!!!