sexta-feira, 30 de julho de 2010

MEU DESAFIO

Eu não posso matar você, e isso de certa forma me mata. Eu sinto raiva de você mas bem sei que não posso cobrar que sejas diferente do que és só porque eu quero. Eu estaria matando a sua autenticidade se quisesse que fosses um alguém diferente do que, tão naturalmente, és. Porque você não pode ser outra pessoa. Você está ocupada demais sendo você mesma - de um modo tão irritante que eu acabo por sentir muita raiva. E acabo querendo mais do que nunca que você mude - que fique diferente. Para que eu não precise matá-la. Você me incomoda. Simplesmente porque, assim, você é inaceitável - inaceitável para mim. Porém, a sua persistência em me contrariar, além da raiva que me dá, me faz sentir algo diferente - um sentimento diferente do que eu estou acostumado a ter por ti. Quando você é tudo aquilo que eu não quero que você seja, eu termino por flagrar-me admirando-a. É inevitável. Porque você é o que eu não quero que seja. Você é o meu desafio. A empreitada que não findarei nunca, e que tanto me enlouquece. Pensar em tudo isso enquanto tento medir toda a raiva que sinto por você só me faz ver uma solução: mesmo que eu não consiga, eu preciso matar você - sobretudo porque nessa tentava frustrada estou a matar-me também.

3 comentários:

Patrícia Rebeca disse...

Pequeno e ótimo;

Carolina disse...

Você lê pensamentos?
=)

Darlan disse...

Nossa, que progundo isso. Bonito, exato e melancólico também. Gostei demais, cê tem talento, rapaz! Aliás, vários... rs Abraços!