Eu nunca pensei que pudesse quereralguma mulher como quero você.Se o mago soubessee juntasse o meu nome em Sao seu nome em C.Nas cartas de todo tarot que houver,em todo o I-Ching eu podia não crer.Mas tudo é tão verde em seus olhos,não dá pra não ver.Você nem se esconda: eu vou procurar.
Você nem se iluda: eu vou lhe encontrar.
Você pode ir e sair e sumir por aí:
que não vai se ocultar.
Eu vejo seu rastro onde ninguém mais vê,
eu pego carona até na Challenger,
e vou nos anéis de Saturno buscar por você!"Mal te vejo, o coração se agita no meu peito. Do fundo da garganta, já não sai a minha voz: a língua como que se parte, corre em tênue fogo sob minha pele. Os olhos deixam de enxergar, os ouvidos zumbem. E banho-me de suor, e tremo toda. Logo fico verde como as ervas, pouco falta para que eu não morra - ou enlouqueça. Pois o amor agita meu espírito como se fosse vendaval a desabar sobre os carvalhos."
Sem ser João Batista, você batizou
meu corpo na crista das ondas do mar.
E aí me abriu feito ostra
e colheu minha pérola pra Yemanjá.
Agora, que estou à mercê de sua luz,
em nome das águas lá de Bom Jesus,
em nome de Deus, me carregue!
Me carregue e me pregue em sua cruz.Sérgio Sampaio / Citação: Safo
sábado, 5 de fevereiro de 2011
EM NOME DE DEUS
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
QUEM EU SOU?
Eu sou aquele que pára de seguir em frente quando ouve teus passos avançando e vindo ao meu encontro.
Sou aquele que imediatamente retrocede e se esconde atrás da porta mais próxima.
E sou aquele que, enquanto te vê passar, ainda ouve o que dizes destraída.
AVULSO
Se quer me encontrar, procure por lares que não são os meus. E, embora eu insista que sejam minhas, vasculhe por entre pessoas que também não me pertencem. Sim, eu não tenho nada. Aliás, eu tenho só medo de quem está perdido e acha que foi castigado.
Pequei, e a minha cruz é o desejo. É a imensa e urgente necessidade de que todas as pessoas sejam minhas. É querer conquistá-las e trazê-las para morarem comigo embora eu esteja perdido e não tenha lar. Mas o trágico, para mim, é não ter onde guardá-las. E, por não matar minha sede, a vontade só aumenta.
E eu me frustro. Passo a odiar a humanidade e enlouqueço por não ter uma mísera referência. E, por incrível que pareça, esse é o momento exato para me encontrar, porque é quando dou pistas do meu paradeiro. Quando a raiva me domina, procure ouvir minha voz que - calada - xinga a todos por trás de um sorriso. É uma das coisas que sobrou de mim, e que em breve também estará perdida. Ouça-me, porque eu estou te chamando.
Eu imploro:
Por favor, procure por mim. Ache-me porque eu não mais suporto estar tão disperso. Encontre-me para que eu possa fazer de ti o meu único e eterno cais.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
VEM, MAR
E então minha alegria infla ao passo que a população de coqueiros vai aumentando. Meu comitê de recepção. Não vejo mais estrada à frente. O asfalto se perde no horizonte, e eu me perco imaginando que na próxima curva estarei cara-a-cara com o casamento de céu e água. Transportei-me. O clarão do Sol está fechando meus olhos e a areia é quente. O vento quer levar-me para longe, tal qual duna. As ondas arrebentando: gritando meu nome. Não dá mais pra segurar.
Os números que se explodam. Nesses dias só quero a riqueza de maresia no meu sangue. Quanto maior a taxa, melhor. Vem, mar: exorcizai-me.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
DE: MIM | PARA: MIM
Fiz uma extravagância: comprei um pedaço de terra. É, as prestações serão muitas mas terei prazer em pagá-las. Uma a uma. Ah, finalmente um lugar meu... Por hora, além de você, ninguém está sabendo. Guarde esse segredo.
Saiba que se eu não tivesse me encantado, não teria fechado negócio. É realmente uma beleza, garanto. A vista é uma delícia. Tudo muito verde, um tapete de grama, e uma árvore - que ainda é pé-de-não-sei-quê, mas eu hei de ter tempo para provar de seus frutos. De noite aquilo tudo fica uma maravilha. A peça - inteiriça de mármore preto: exigência minha - há de refletir a lua. Cada letra do meu nome chumbada em ouro, é o que importa.
Fui ninguém mas também amei na vida. Ah, finalmente um lugar meu. E que, se eu pudesse, embrulhava pra presente e dava pra mim mesmo.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
MANIA DE ESQUECER
Você diz que é desleixo, lerdeza e falta de atenção. E que a cabeça eu vou terminar perdendo. Mas que fale... Se o que me importa é ver você de novo, não custa esquecer alguma coisa contigo. Por onde ando, vou semeando meus pertences. Aquele casaco no banco de trás, o livro sobre a cômoda, uma bermuda na gaveta, os pés das meias no varal...
É coisa minha que, por hora, é sua. Sou eu de presente - em doses homeopáticas e com vencimento. E se sou eu contigo, por favor, não se apresse na devolução. Porque, em especial, eu não me deixo esquecer de algo: você precisa lembrar de mim. De resto, tudo é pretexto para que haja um reencontro casual.
- e mais outro, e mais outro -
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